“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
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Rezando com a Bíblia: Jo 21,1-14

Publicado em 5 de maio de 2020 - 11:47:17

Para se rezar com a Bíblia, mais do que método, é importante a postura de discípulo. Leia Jo 21,1-14. O texto fala da terceira aparição de Jesus ressuscitado. O Texto tem dois movimentos.

1º Movimento: afastamento de Jesus. Os discípulos de Jesus já testemunharam a ressurreição, pois esta é a terceira aparição. Eles já tinham abandonado a pesca de peixes para pescar gente (Mc 1,16-20). Estranhamente, os discípulos agora voltam a pescar peixes. Entram no barco sem Jesus. Na noite, trabalham em vão, nada pescam. Já não vestem a roupa do discipulado (Pedro está nu). Jesus está fora, colocado à margem, distante do barco da vida.

Nós, batizados, já experimentamos a ressurreição e sabemos que um dos seus frutos é a vida de oração, isto é, a relação de intimidade com Jesus. Toda relação com Jesus deve ser cultivada para continuarmos nosso trabalho de “pescar gente”.

Na Bíblia, a roupa é símbolo da identidade do discípulo. Quando não cultivamos nossa relação com Jesus, através da vida de oração, ficamos nus, isto é, perdemos a nossa identidade de discípulos, assumindo um estilo de vida que não leva em conta a Palavra de Deus. Um estilo distante do jeito de ser de Jesus, preferindo agir em meio às trevas. O discípulo para de dar frutos, já não pesca nada, já não atrai vocações jovens, pois perdeu a capacidade de amar como Jesus.

É preciso repetir que aqueles sete discípulos já tinham experimentado a ressurreição de Jesus. Eles regrediram na fé! Separaram-se da Videira verdadeira (Jo 15,1-17). O cristão que não cultiva o amor à Palavra e se afasta da vida de oração regride na fé.

2º Movimento: aproximando de Jesus. Os discípulos estão cansados, distantes de Jesus, sem identidade. Sua barca é frágil e suas redes são fracas. O reencontro com Jesus modifica toda a experiência de uma vida que abandonou o Mestre à margem. É Jesus quem toma a iniciativa. Pergunta aos discípulos se têm algo para comer. Claro que não! Quem se afasta de Jesus não tem nada a oferecer. Mesmo de longe Jesus grita aos discípulos. Tudo começa a mudar quando eles escutam a Palavra de Jesus e a colocam em prática, lançando as redes onde Jesus indicou. A rede ficou cheia de peixes, frutos de quem escutou o Mestre, de quem está unido a Videira verdadeira.

É escutando a Palavra de Jesus e obedecendo a sua vontade que o discípulo reconhece Jesus. É reconhecendo Jesus a partir da Palavra que o discípulo recupera sua identidade, ao vestir sua túnica. Ele recupera o vigor e sua capacidade de arrastar a rede cheia de peixes. Os discípulos agora se aproximam de Jesus. Jesus torna-se o centro de suas vidas. Essa experiência culmina na eucaristia (fração do pão).

Nós, quando abrimos nosso coração à Palavra de Deus e reclinamos nossa atenção sobre ela, retomamos nosso ânimo, nosso vigor de discípulos.

Nossa vida só será autêntica se nos colocarmos à escuta do Mestre. Só vislumbraremos Jesus na margem de nossa vida se Ele for o centro de nossa vida. É na escuta do Mestre e seguindo Sua vontade que os cristãos assumirão o estilo de vida de Jesus e arrastarão suas redes cheias de peixes com uma força que não é nossa, mas de Deus.

É a vida de intimidade com Jesus a única garantia de que nossas redes estarão cheias, e de que o barco de nossa vida não afundará. A obediência à Palavra do Mestre é a única forma de conseguirmos arrastar as redes cheias de frutos. Só na intimidade com Jesus é que receberemos o pão da vida, assado no fogo do coração do Mestre.

Pe. Demetrius dos Santos Silva
Biblista e docente do Curso Diocesano de Teologia
 

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