“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
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A espiritualidade de Maria (III): a arte mariana de uma espera ativa

Publicado em 9 de abril de 2020 - 17:05:22

O Evangelho de São João testemunha que, «junto à Cruz de Jesus», Maria, sua Mãe, estava «em pé» (cf. Jo 19,25). Essa anotação do Quarto Evangelho, lida com profundidade, não pode deixar de causar em nós uma certa perplexidade. Como, diante da morte do filho, essa Mãe permanece em pé, quando, mesmo o curso da natureza se inverte, visto que o mais natural é que os filhos entreguem a Deus os pais, com resistência, comoção e dor? Essa passagem é, na verdade, um testemunho da fortaleza – enquanto virtude teologal – daquela pessoa cheia de graça (cf. Lc 1, 28).

De onde vem essa fortaleza da Mãe que permanece «em pé» junto à cruz do Filho? É claro que vem de Deus. Todavia, em Maria, esse dom de Deus tem uma pedagogia que também nós – entrando na Escola de Maria, Mãe e Mestra – podemos aprender essa fortaleza que pode nos manter «em pé», em tempos de dificuldades.

A coragem de Maria é resultado do trabalho que ela fez em seu coração. O coração Maria é exercitado através da oração e da reflexão: «Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração» (Lc 2,19). Não é que Maria, simplesmente, deixava tudo ficar em seu coração. Ela, na verdade, conservava duas coisas: os fatos relacionados à vida de seu filho Jesus e os acontecimentos que ela ainda precisava entender. Assim, a Mãe do Filho de Deus ia deixando os fatos acontecerem e, nesse processo, vendo a ação e resposta de Deus se darem pouco a pouco, através dos acontecimentos da própria vida, em que um evento ia se esclarecendo através de outro. Isto lhe foi permitindo ver que Deus sempre acompanha o seu povo, é providente e sempre lhe dá uma resposta, mesmo aos acontecimentos que ainda não conseguimos entender.

Essa maneira de olhar a vida e de ruminar seus acontecimentos encheu o Coração de Maria de uma esperança firme, porque ela constatou que Deus sempre olhou com um «olhar atento e amoroso» para seu povo (cf. Lc 1,48). Dessa forma, por manter vivo no coração aquilo que Deus já realizou na sua própria história e na história de seu povo, Maria foi fortalecendo, cada vez mais, a sua fé, uma fé confiante na providência, como se dissesse no momento da dificuldade: Deus sempre agiu a nosso favor nas dificuldades em que vivemos. Por que não continuará agindo no presente e no futuro?

Com uma fé confiante, alimentada pela memória da ação de Deus, Maria estava «em pé» aos pés da Cruz, esperando o que Deus haveria de fazer com aquilo tudo que o mundo fizera com seu filho amado. Por isso, podemos dizer que Nossa Senhora, aos pés da Cruz, foi a primeira a “crer” na Ressurreição. Embora não soubesse exatamente como as coisas aconteceriam, sabia que a Cruz não seria o ponto final da vida de seu filho. Deus haveria de realizar algo maravilhoso com aquela tragédia humana e, de fato, três dias depois pôde viver a alegria da Ressurreição. Assim, em tempos difíceis como os nossos, em tempos de coronavirus, tempos de Igrejas fechadas, tempos em que nos foi tirada até mesmo a Eucaristia, somos chamados a aprender com Maria a arte de estar aos pés da Cruz «em pé», sustentados pela fé confiante e à espera da resposta de um Deus que não é indiferente ao que vivemos, mas que, do alto, está a nos guardar com olhar atento e amoroso que Maria conseguiu perceber.

Pe. Antonio César Maciel Mota
Pároco da Paróquia São João Batista em Rio Claro
Docente do Curso Diocesano de Teologia
 

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