“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
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Pode-se tocar o ostensório com Jesus Eucarístico exposto? Devemos estender as mãos, olhar ou abaixar a cabeça em sinal de respeito?

Publicado em 10 de fevereiro de 2020 - 15:33:39

“Pode-se tocar o ostensório com Jesus Eucarístico exposto?”
“Devemos estender as mãos, olhar ou abaixar a cabeça em sinal de respeito?”
(Gabriel Pedrina Chiarion, 21 anos de idade, Rafard/SP e
Bianca Peixoto Mazzonetto, 36 anos de idade, Águas de São Pedro/SP)


As dúvidas recebidas referem-se ao gesto e atitude espiritual dos fiéis, durante a exposição e bênção do Santíssimo Sacramento. Na exposição “simples” ou “solene” do Santíssimo Sacramento, os fiéis não devem tocar o ostensório ou o cibório, como, infelizmente, se veem algumas vezes na televisão. “O respeito devido à Eucaristia pede que tudo aconteça com sobriedade, e as orientações da Igreja insistem em que se viva uma oração mais contemplativa. Portanto, ninguém use o ostensório como ‘amuleto’ que se procura tocar, gerando choro e gestos descontrolados. Esses gestos não favorecem a manifestação autêntica da fé, confundida com emoções e devocionismo superficial. Procuremos, sim, uma devoção eucarística mais profunda, sóbria e contemplativa, fundamentada num sincero amor à Santíssima Eucaristia” (Dom Armando Bucciol, Sinais e símbolos, gestos e palavras na liturgia: para compreender e viver a liturgia, Brasília, Edições CNBB, 2018, p. 141).

Alguns se utilizam dos evangelhos de Mt 9,20-22, Mc 5,25-34 e Lc 8,43-48, que retratam a cura da hemorragia da mulher que toca Jesus,como um “pretexto evangélico” para tocarem a hóstia consagrada. No entanto, os evangelhos nos ensinam que essa mulher que pensava ter sido curada por haver tocado o manto de Jesus, na verdade, foi curada pela fé. Jesus lhe disse que era a sua fé que a estava “salvando” e “curando”. Em contraponto, acredito que não se pode negar a fé e a piedade destas pessoas. Porém, elas precisariam ser orientadas por seus pastores que esta “manipulação” da hóstia consagrada não é questão de fé, nem mesmo recomendada pela viva Tradição litúrgica da Igreja. “Diante da grandeza do Mistério Eucarístico, acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros” (Mons. Inácio José Schuster).

“A exposição da Santíssima Eucaristia (...) leva-nos a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à intima união com ele, união que alcança o seu ápice na Comunhão sacramental. Por isso, a exposição é excelente meio de favorecer o culto em espírito e verdade devido à Eucaristia”
(Ritual A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, nº 82). Mais que “desejar tocar”, os fiéis, preferencialmente, precisam ser orientados a cultivar em si o espírito de adorar Jesus Sacramento e recebê-lo na comunhão sacramental: “tomai, todos, e comei, isto é o meu corpo...”.

Durante a exposição eucarística, os fiéis são exortados a dedicar um “tempo conveniente à leitura da Palavra de Deus, a cantos, preces e à oração silenciosa prolongada por algum tempo”. Para eles, no que se refere à postura do corpo, a Igreja orienta que permaneçam de joelhos, durante a bênção eucarística, mas não prevê nem regulamenta outros gestos (erguer ou abaixar a cabeça, estender as mãos, prostrar-se, etc). A exposição do Santíssimo Sacramento feita unicamente para dar a bênção é proibida (cf. Ritual A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, nº 94).

Caros (as) leitores (as), durante estes anos eu fui o único articulista desta coluna mensal. A partir da próxima edição, ela será escrita por alguns padres, diáconos, religiosos (as) e cristãos leigos e leigas, conforme os assuntos das perguntas recebidas. Continuem enviando suas dúvidas religiosas para: comunicacao@diocesedepiracicaba.org.br.

Pe. Kleber F. Danelon
Mestre em Liturgia pela PUSC, em Roma,
e Coordenador Diocesano de Pastoral
 

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