“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
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A Salvação no Evangelho de São Lucas

Publicado em 18 de dezembro de 2019 - 17:22:05

Um dos temas mais caros ao evangelista São Lucas é, com certeza, a Salvação. Lucas é o evangelista que coloca a história e a missão de Jesus à luz da perspectiva salvífica, desejada, desde todos os tempos, pelo povo de Israel. Desta forma, podemos perceber, ao longo de toda a Sagrada Escritura, a ação de Deus que sempre intervém na história, por meio de homens, chefes, juízes, reis e profetas que anunciam a vontade de Deus ou denunciam algum tipo de opressão que atenta contra a dignidade do povo.

Como sabemos, a espera pela chegada do Messias era aguardada por todos os grupos político-religiosos de Israel. A chegada do Messias simbolizava o pleno cumprimento da promessa de Deus e a soberania do seu povo, que finalmente poderia viver em paz. Sobre isso nos diz Rinaldo Fabris: “Para o tempo final espera-se uma salvação plena e definitiva com ressonâncias universais, que coincida com a perfeita segurança e paz. Nesta esperança inclui-se não só a eliminação de todo mal, mas também de suas raízes, ou seja, o fim da infidelidade do povo, o pecado” (Cf. Jr 31,34; Ez 36,29; 37,23).

Para compreendermos bem, vejamos o “Cântico de Zacarias” que verdadeiramente mostra a salvação oferecida por Deus para a libertação dos inimigos e opressores do povo: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo. Como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas. Para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados” (Lc1, 68-77).

Na missão de Jesus fica nítido o convite à Salvação que, no Evangelho de Lucas, é universal, isto é, para todos. É para Zaqueu, o chefe dos cobradores de impostos: “Hoje entrou a salvação nesta casa” (Lc 19, 9), é também para nós, no dia de hoje. Assim sendo, “o canto de Zacarias, que toca toda a gama da linguagem salvífica de Lucas [...] pode ser considerado o primeiro esboço de reflexão cristã sobre a experiência salvífica centrada em Jesus Cristo. [...] A salvação não é mais uma vaga espera projetada para o futuro: é anúncio para hoje, em favor de todos os homens”.

Portanto, podemos perceber que Lucas deixa aos cristãos de todos os tempos o convite à salvação. Vivê-la, plenamente, é aceitar o Reino de Deus que em cada “tempo” se manifesta. Podemos denominar em três os tempos salvíficos: 1º) Tempo de Israel: marcado pela promessa e a espera da salvação; 2º) Tempo de Jesus: “o centro do tempo”, momento único, pleno e irrepetível; e 3º) Tempo da Igreja: fundamentado nas primeiras testemunhas. Tempo em que se anuncia a salvação trazida por Jesus e se espera a sua plena realização para o fim. A salvação de Deus em Jesus é o centro da história, porque Ele é o salvador de todo o gênero humano. Por sua morte e ressurreição, toda a humanidade se abre à esperança de um mundo novo e de uma libertação definitiva.

Pe. Willian Bento
Pároco da Paróquia Menino Jesus de Praga - Piracicaba
 

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